De difícil diagnóstico, a
enxaqueca pode ser desencadeada por oscilações do humor e ansiedade, falta ou
excesso de sono e consumo de determinados alimentos. Além de medicamentos
específicos, shiatsu, acupuntura e psicoterapia podem combater a dor.
Mais frequente entre as mulheres, a
enxaqueca acomete 15% da população brasileira, sendo uma das principais causas
de falta ao trabalho. A dor se caracteriza por ser latejante e se manifestar de
um lado só. Na maioria das vezes, é acompanhada de náuseas, vômitos e
intolerância a sons, luz e cheiros fortes.
De acordo com o neurologista Mario
Peres, do Hospital Albert Einstein, as crises tendem a aparecer
ocasionalmente, com duração de quatro a 72 horas. Em casos extremos, a
frequência pode ser diária.
“Além do fator genético, alimentos
como queijos, embutidos, chocolate, café e adoçantes com aspartame, excesso de
exposição ao sol, alterações hormonais, tabagismo, odores fortes e bebidas
alcoólicas podem desencadear as crises. Oscilações do humor (depressão e
irritabilidade), assim como ansiedade e preocupações também estão
frequentemente associados a um episódio de enxaqueca”, esclarece.
O especialista observa que não existem
testes específicos para o diagnóstico, que é sempre clínico, por meio da
avaliação médica dos sintomas relatados. “Em alguns casos, podem ser feitos
exames para identificar se existem outros fatores interferindo na dor de cabeça
e confirmar a suspeita de enxaqueca”, afirma.
Uma vez identificadas as causas, o
principal tratamento é a prevenção, que pode ser feita com medicamentos que
atuam em neurotransmissores (serotonina, adrenalinas, melatonina) ou com
métodos não medicamentosos. “As crises também podem ser combatidas com
analgésicos de efeito rápido, reduzindo a dor. Além disso, é fundamental a
adoção de hábitos saudáveis, como relaxamento, atividades físicas regulares,
alimentação equilibrada e sono adequado”, orienta.
A enxaqueca também pode ser tratada
com métodos complementares, como aplicação de botox, shiatsu e acupuntura,
entre outros, esclarece o médico. “Chamamos essas terapias de complementares e
não de alternativas, pois elas devem complementar o tratamento medicamentoso,
podem ser a base principal dele, mas não precisam estar em oposição a ele. Elas
funcionam bem, mas necessitam de tempo e de dedicação do paciente”, observa.
A toxina botulínica é indicada
para enxaqueca crônica que não apresenta melhora com nenhum outro
tratamento, nem com outros medicamentos. “A toxina botulínica atua na junção
neuromuscular. A aplicação é feita na região da testa e têmpora e na região
posterior (nuca e cervical), sempre por médicos, nunca em clínicas de
estética”, ressalta o Dr. Mario Peres.
Shiatsu e acupuntura:
O shiatsu terapêutico localiza e solta
pontos específicos na região cervical, escapulário e crânio-cervical, alivia a
tensão e melhora o fluxo de sangue que vai para o cérebro, reduzindo a dor em
98% dos casos, segundo o especialista nessa terapia, Celso Imada. “Vale
ressaltar que o shiatsu trabalha todo o corpo. O resultado positivo só é
conquistado quando se consegue equilibrá-lo e relaxá-lo”, esclarece.
A acupuntura, outro recurso, contribui
para tornar as crises menos frequentes ou menos intensas, como explica o médico
e acupunturista Marcus Vinicius. “Possivelmente, ela normaliza as funções
cerebrais. Em algumas doenças, entre as quais a enxaqueca, as conexões entre as
áreas cerebrais ficam alteradas. De acordo com trabalhos com ressonância
magnética funcional, após a acupuntura as redes cerebrais voltam a funcionar
normalmente. As sessões também levam à produção de substâncias analgésicas pelo
cérebro, as endorfinas”, observa.
Os pontos são escolhidos de acordo com
o conjunto de sintomas. “Quem tem náuseas será tratado de forma diferente do
que aquele que não as têm. Os pontos são distribuídos pelo corpo todo. Os mais
importantes geralmente são aqueles na extremidade dos membros, do cotovelo até
a mão e do joelho até o pé. Pontos no pescoço e nuca também são importantes”,
orienta o médico acupunturista.
Em relação à manipulação cervical,
comum em algumas terapias, o especialista diz que é um assunto muito
controvertido, pela possível associação com lesões dos vasos cerebrais.
“Existem casos de lesão das carótidas e de acidente vascular encefálico depois
de uma manipulação. Recomendaria não se deixar manipular, exceto por osteopatas
experientes, e nunca após certa idade, pela possibilidade de soltura de placas
ateromatosas das carótidas. Se possível, fazer um exame de imagem prévio”,
orienta.
Massagens, yoga, meditação,
psicoterapia, terapias posturais, corporais e de toque, de base
religiosa/espiritual são outras opções para atenuar as crises. “Todos esses
métodos têm sua importância e espaço, mas a prescrição deve ser
individualizada. Não adianta fazer qualquer uma, aleatoriamente. É preciso que
esteja dentro de um contexto de prevenção e da programação do tratamento”, diz
o neurologista Mario Peres.
Intervenções comportamentais são
importantes quando os aspectos psicológicos são predominantes, explica o
médico: “É extremamente comum a enxaqueca acometer pessoas muito ansiosas e
tensas, que se preocupam exageradamente, são pessimistas e perfeccionistas.
Geralmente, elas absorvem demais os problemas, cobram-se muito e acabam se
sobrecarregando com mais facilidade. A dor acaba sendo um aviso do organismo,
que ativa esse sistema de defesa para se reequilibrar e fazer com que o
indivíduo saia da zona de conflito”.
Com tantos e tão variados recursos,
não há mais razão para sofrer com dores de cabeça intensas.
Etapas da enxaqueca:
A enxaqueca pode ser dividida em
quatro etapas, com diferentes sintomas:
- premonitória: antecede
a dor de cabeça. É comum o desejo por determinados alimentos, como chocolate,
além de alterações de humor, cansaço, bocejos e retenção de líquidos.
- aura:
normalmente precede a crise, mas também pode ocorrer simultaneamente a ela.
Manifesta-se em 15 a 25% das enxaquecas. Caracteriza-se por alterações na
visão, como embaçamento, pontos ou manchas escuras, linhas em ‘zigue-zague’ e
pontos luminosos que duram de cinco minutos a uma hora.
- cefaleia: é o
período mais incapacitante e incômodo. A sensação é de dor latejante de um lado
da cabeça, que piora com qualquer esforço físico. Náuseas, vômitos e
sensibilidade a ruídos, luz e cheiros podem acompanhar a dor.
- resolução: recuperação
do organismo após a dor intensa. Caracteriza-se por intolerância a alimentos,
dificuldade de concentração, dor muscular e fadiga.
Consultor: Dr. Marcus Vinicius Ferreira,
médico especializado em acupuntura e fisiatria, mestre em medicina-ortopedia, Dr. Mario Peres,
neurologista do Hospital Albert Einstein, Celso Imada,
especialista em shiatsu.



Nenhum comentário:
Postar um comentário