sexta-feira, 21 de novembro de 2014

TERAPIAS COMPLEMENTARES ALIVIAM A ENXAQUECA....

By Suzi,

De difícil diagnóstico, a enxaqueca pode ser desencadeada por oscilações do humor e ansiedade, falta ou excesso de sono e consumo de determinados alimentos. Além de medicamentos específicos, shiatsu, acupuntura e psicoterapia podem combater a dor.


Mais frequente entre as mulheres, a enxaqueca acomete 15% da população brasileira, sendo uma das principais causas de falta ao trabalho. A dor se caracteriza por ser latejante e se manifestar de um lado só. Na maioria das vezes, é acompanhada de náuseas, vômitos e intolerância a sons, luz e cheiros fortes.
De acordo com o neurologista Mario Peres, do Hospital Albert Einstein, as crises  tendem a aparecer ocasionalmente, com duração de quatro a 72 horas. Em casos extremos, a frequência pode ser diária.
“Além do fator genético, alimentos como queijos, embutidos, chocolate, café e adoçantes com aspartame, excesso de exposição ao sol, alterações hormonais, tabagismo, odores fortes e bebidas alcoólicas podem desencadear as crises. Oscilações do humor (depressão e irritabilidade), assim como ansiedade e preocupações também estão frequentemente associados a um episódio de enxaqueca”, esclarece.
O especialista observa que não existem testes específicos para o diagnóstico, que é sempre clínico, por meio da avaliação médica dos sintomas relatados. “Em alguns casos, podem ser feitos exames para identificar se existem outros fatores interferindo na dor de cabeça e confirmar a suspeita de enxaqueca”, afirma.
Uma vez identificadas as causas, o principal tratamento é a prevenção, que pode ser feita com medicamentos que atuam em neurotransmissores (serotonina, adrenalinas, melatonina) ou com métodos não medicamentosos. “As crises também podem ser combatidas com analgésicos de efeito rápido, reduzindo a dor. Além disso, é fundamental a adoção de hábitos saudáveis, como relaxamento, atividades físicas regulares, alimentação equilibrada e sono adequado”, orienta.
A enxaqueca também pode ser tratada com métodos complementares, como aplicação de botox, shiatsu e acupuntura, entre outros, esclarece o médico. “Chamamos essas terapias de complementares e não de alternativas, pois elas devem complementar o tratamento medicamentoso, podem ser a base principal dele, mas não precisam estar em oposição a ele. Elas funcionam bem, mas necessitam de tempo e de dedicação do paciente”, observa.
A toxina botulínica é indicada para  enxaqueca crônica que não apresenta melhora com nenhum outro tratamento, nem com outros medicamentos. “A toxina botulínica atua na junção neuromuscular. A aplicação é feita na região da testa e têmpora e na região posterior (nuca e cervical), sempre por médicos, nunca em clínicas de estética”, ressalta o Dr. Mario Peres.

Shiatsu e acupuntura:
O shiatsu terapêutico localiza e solta pontos específicos na região cervical, escapulário e crânio-cervical, alivia a tensão e melhora o fluxo de sangue que vai para o cérebro, reduzindo a dor em 98% dos casos, segundo o especialista nessa terapia, Celso Imada. “Vale ressaltar que o shiatsu trabalha todo o corpo. O resultado positivo só é conquistado quando se consegue equilibrá-lo e relaxá-lo”, esclarece.
A acupuntura, outro recurso, contribui para tornar as crises menos frequentes ou menos intensas, como explica o médico e acupunturista Marcus Vinicius. “Possivelmente, ela normaliza as funções cerebrais. Em algumas doenças, entre as quais a enxaqueca, as conexões entre as áreas cerebrais ficam alteradas. De acordo com trabalhos com ressonância magnética funcional, após a acupuntura as redes cerebrais voltam a funcionar normalmente. As sessões também levam à produção de substâncias analgésicas pelo cérebro, as endorfinas”, observa.


Os pontos são escolhidos de acordo com o conjunto de sintomas. “Quem tem náuseas será tratado de forma diferente do que aquele que não as têm. Os pontos são distribuídos pelo corpo todo. Os mais importantes geralmente são aqueles na extremidade dos membros, do cotovelo até a mão e do joelho até o pé. Pontos no pescoço e nuca também são importantes”, orienta o médico acupunturista.
Em relação à manipulação cervical, comum em algumas terapias, o especialista diz que é um assunto muito controvertido, pela possível associação com lesões dos vasos cerebrais. “Existem casos de lesão das carótidas e de acidente vascular encefálico depois de uma manipulação. Recomendaria não se deixar manipular, exceto por osteopatas experientes, e nunca após certa idade, pela possibilidade de soltura de placas ateromatosas das carótidas. Se possível, fazer um exame de imagem prévio”, orienta.
Massagens, yoga, meditação, psicoterapia, terapias posturais, corporais e de toque, de base religiosa/espiritual são outras opções para atenuar as crises. “Todos esses métodos têm sua importância e espaço, mas a prescrição deve ser individualizada. Não adianta fazer qualquer uma, aleatoriamente. É preciso que esteja dentro de um contexto de prevenção e da programação do tratamento”, diz o neurologista Mario Peres.
Intervenções comportamentais são importantes quando os aspectos psicológicos são predominantes, explica o médico: “É extremamente comum a enxaqueca acometer pessoas muito ansiosas e tensas, que se preocupam exageradamente, são pessimistas e perfeccionistas. Geralmente, elas absorvem demais os problemas, cobram-se muito e acabam se sobrecarregando com mais facilidade. A dor acaba sendo um aviso do organismo, que ativa esse sistema de defesa para se reequilibrar e fazer com que o indivíduo saia da zona de conflito”.
Com tantos e tão variados recursos, não há mais razão para sofrer com dores de cabeça intensas.

Etapas da enxaqueca:
A enxaqueca pode ser dividida em quatro etapas, com diferentes sintomas:
- premonitória: antecede a dor de cabeça. É comum o desejo por determinados alimentos, como chocolate, além de alterações de humor, cansaço, bocejos e retenção de líquidos.

- aura: normalmente precede a crise, mas também pode ocorrer simultaneamente a ela. Manifesta-se em 15 a 25% das enxaquecas. Caracteriza-se por alterações na visão, como embaçamento, pontos ou manchas escuras, linhas em ‘zigue-zague’ e pontos luminosos que duram de cinco minutos a uma hora.

- cefaleia: é o período mais incapacitante e incômodo. A sensação é de dor latejante de um lado da cabeça, que piora com qualquer esforço físico. Náuseas, vômitos e sensibilidade a ruídos, luz e cheiros podem acompanhar a dor.

- resolução: recuperação do organismo após a dor intensa. Caracteriza-se por intolerância a alimentos, dificuldade de concentração, dor muscular e fadiga.

Consultor: Dr. Marcus Vinicius Ferreira, médico especializado em acupuntura e fisiatria, mestre em medicina-ortopedia, Dr. Mario Peres, neurologista do Hospital Albert Einstein, Celso Imada, especialista em shiatsu.


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